Miranda Feliciano Sociedade de Advogados
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  Artigo - Detalhado
06/07/2011

ADVOGADO - DE DEUS OU DO DIABO?
Todo Advogado é do Diabo? É comum ouvirmos comentários que vinculam a atividade exercida pelo advogado às atividades típicas do Acusador (Latim diábolos = "acusador" ). Muitos crêem que para ser advogado é preciso mentir, enganar ou atuar de forma contrária à ética, à moral e aos bons costumes. Alguns criaram o estigma de que os advogados são trapaceiros, enganadores, por experiências frustradas do passado.  

 

A expressão: "Advogado do Diabo" (Latim advocatus diaboli) designava a pessoa nomeada pela Igreja Católica para apresentar argumentos contrários a canonização e beatificação do candidato. O "Advogado do Diabo" combatia as provas de milagres supostamente atribuidos ao candidato enquanto que o "Promotor da Fé  (Latim Promotor Fidei) defendia a ocorrência do milagre realizada pelo "santo". O ofício de "Advogado do Diabo" instituido em 1587 foi abolido pelo Papa João Paulo II em 1983, o que elevou o número de indivíduos canonizados: cerca de 500 canonizados e mais de 1300 beatificados a partir desta data, enquanto apenas houvera 98 canonizações no período que vai de 1900 a 1983. Isto sugere que os Advogados do Diabo, de fato, reduziam o número de canonizações e beatificações, pessoas reconhecidas como "santas" para a Igreja Católica.

 

A expressão tornou-se mais conhecida com o filme "O Advogado do Diabo" (The Devil's Advocate, no original) lançado em 1997, onde um jovem advogado não perde uma causa e, seduzido pelo dinheiro, poder e sexo, abre mão de seus valores morais trazendo grande sofrimento a sí e a sua família. Pergunto: É possivel ser um Advogado de Deus? Vejamos: 

 

Primeiro: Em toda atividade existem pessoas com desvio de conduta. Isso ocorre com contadores, professores, políticos, advogados, padres e até mesmo com pastores! Logo, não podemos condenar o todo pela parte. Não se pode generalizar a "espécie" por conta de algums maus exemplos. Constantemente vemos na imprensa pessoas das mais diversas classes sociais e dos mais diversos tipos de ofícios envolvidos em escândalos de toda sorte: desvios de dinheiro, pedofilia, prostituição, furtos, etc. Quantos pastores já não foram acusados de desvio de dinheiro? E nem por isso podemos generalizar que todos os pastores são mercenários da fé! Existem muitos santos homens de Deus abnegados e vinculados a igreja única e exclusivamente pela fidelidade ao chamado de Deus em sua vida. O mesmo também ocorre com os advogados. Existem muitos mercenários no ofício, mas também poderia elencar diversos nomes que advogam por paixão; homens que tratam a advocacia como um ministério. Enquanto o pastor cuida da alma, o médico do corpo, o advogado cuida dos bens da pessoa: patrimônio, liberdade e dignidade!

 

Segundo: O Advogado apenas representa seu cliente! No direito Romano, o advogado (Latim ad vocatus = "o que foi chamado") era a terceira pessoa que o litigante chamava perante o juízo para falar a seu favor ou defender o seu interesse. Isso ocorre porque a pessoa que está envolvida em um litígio está em um ambiente de emoções, e o advogado é a pessoa com capacidade técnica e tranquilidade para organizar as ideias e fazer a defesa técnica. A mulher que foi pega no ato de adultério e foi levada diante de Jesus por seus acusadores para ser apedrejada, possivelmente estava chorando, com mais de 200 batimentos cardíacos por minuto (João 8.4). Naquele momento, Jesus agiu como Advogado daquela mulher. De forma tranquila e técnica, Ele buscou a melhor interpretação da lei para atenuar a pena e salvar a vida daquela mulher. A argumentação de defesa fez toda diferença! Isso não quer dizer que Jesus aprova o que ela tenha feito, até porque Ele disse: "Vai-te, e não peques mais" (João 8.11). Não é porque o advogado defende pessoas que praticam atos reprováveis que ele aprova o ato. Ele apenas representa a pessoa tecnicamente e suas convicções pessoais devem ser deixadas de lado pelo bem dos acusados!

 

Terceiro: O Advogado faz o papel de Jesus! Veja o que João escreveu em 1João 2.1: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo." Alguém era inocente diante de Deus para merecer a defesa de Cristo? Jesus não defendeu inocentes, mas culpados. Todos estávamos, por nossos atos, condenados à pena de morte, entretanto, Jesus intercedeu por nós e encontrou, na lei, uma forma de nos dar uma chance de viver!

 

Enfim, assim como existem pastores de Deus, médicos de Deus também é possível ser um Advogado de Deus e atuar de forma honesta e digna, sem abrir mão dos valores morais aprendidos com nosso maior Advogado: Jesus Cristo!

Autor: Alcionei Miranda Feliciano



Postado por: Emily de Araujo Miranda Feliciano

 
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